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Gravidez aos 11 anos é situação de 'alto risco': entenda os impactos físicos e psicológicos

Por Dante Bragatto Neto em 21/06/2022 às 16:50:48
Além de ter sido mantida longe da família em um abrigo provisório, fato que impedia a realização do procedimento de interrupção da gravidez, a menina foi coagida a continuar a gestação por mais “uma ou duas semanas” Uma gravidez, mesmo quando desejada, afeta o corpo feminino de muitas formas diferentes. Gestar um bebê demanda muito das mulheres nos mais diversos aspectos e, não raro, surgem dores físicas e a sensação de uma sobrecarga emocional. Quando a condição envolve uma menina de 11 anos, grávida vítima de um estupro, todas as preocupações são multiplicadas. Mantida em um abrigo até a manhã desta terça-feira (21), a criança está com 22 semanas de gravidez.

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Em entrevista ao g1, a especialista em Reprodução Humana e Cirurgia Ginecológica Endoscópica, Fábia Vilarino, lista os principais impactos que uma gravidez impõe ao corpo de uma garota como a de Santa Catarina.

Fábia Vilarino diz que toda gravidez precoce sempre é de "alto risco", com maior chance de pré-eclâmpsia e outras complicações, e maior risco de desenvolver uma anemia grave.

"Uma criança de 11 anos está nos primeiros anos da idade reprodutiva e o desenvolvimento completo do corpo leva alguns anos até atingir a maturidade. Ou seja, o corpo dela ainda não está preparado adequadamente para uma gravidez. Emocionalmente e psicologicamente também não", explica a especialista em Reprodução Humana e Cirurgia Ginecológica Endoscópica, Fábia Vilarino.

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A especialista explica que toda gestação promove uma série de alterações no corpo da mãe, que se adapta.

"Os sistemas digestório, respiratório e circulatório passam a funcionar de modo diferente e, como ela é uma criança, essas alterações acabam não ocorrendo da maneira que deveriam, se desenvolvendo de maneira patológica. Tudo é imaturo naquele sistema. Bacia pequena, útero menor, vagina menor. O desenvolvimento dela não está finalizado", explica Fábia Vilarino.

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"Uma gravidez precoce sempre é de alto risco, com maior chance de pré-eclâmpsia e suas complicações (síndrome HELP), e maior risco de desenvolver uma anemia grave pois uma criança não tem os mecanismos que suportam as consequências da gravidez. Sendo a mãe que fornece os nutrientes para o bebê, e sendo uma mãe que não está completamente desenvolvida, ela cede os nutrientes de que precisaria para si mesma, ficando desnutrida e anêmica."

No caso de uma criança, todos os riscos aos quais uma gestante esta submetida são ampliados e se tornam de incidência mais frequente. Por exemplo, um maior risco de prematuridade e de rompimento precoce de bolsa.

"Um feto desejado consequentemente proporciona mais resiliência por parte de mãe para encarar os sintomas de uma gravidez. Agora, na idade gestacional que consideramos como sendo a metade de uma gravidez, ela já passou por todos eles (enjoo, mal-estar). Uma gestação não desejada e oriunda de uma violência. Imagine uma criança tendo que arcar com tudo isso? O conflito de saber que ela carrega uma vida de modo indesejado."

A médica ressalta que, para interromper uma gestação, quanto mais precoce o procedimento, menos traumático para o corpo. "O ideal seria até o terceiro mês, com o útero ainda pequeno. Do ponto de vista médico, seria um procedimento tecnicamente mais simples. E também, a cada semana que se passa, a parte emocional fica mais e mais confusa, são muitos sentimentos envolvidos."

De acordo com a ginecologista, os riscos que a menina corre estão, sobretudo, relacionados ao sistema reprodutivo dela.

"Se essa gestação não for interrompida, ela dificilmente conseguirá ter um parto normal, pois sua bacia não tem tamanho o suficiente para passar o feto. É grande o risco de ela ter uma complicação na gestação atual que comprometa as chances reprodutivas dela no futuro, provavelmente ocasionando um problema uterino por ele ainda estar imaturo nessa fase da vida", explicou.

Por lei, toda a gestação decorrência de violência sexual pode ser interrompida. Existem hospitais de referência, com uma equipe preparada para atender casos de violência sexual. Em São Paulo, um dele é o Hospital Pérola Byington.
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